quinta-feira, 13 de abril de 2017

Todo mundo pode cantar?!

Como e por que os karaokês ainda fazem sucesso nos bares de Salvador
Ana Santos encontrou no karaokê uma ótima diversão para a sua vida. Foto: Raulino Júnior

 Por 
Raulino Júnior || Reportagem Especial||

Sábado à noite, um bar localizado no Centro de Salvador. O serviço mais pedido? Música. Contudo, a atração não é nenhum "cantor de barzinho" típico, desses que estamos acostumados. Quem brilha mesmo são os cantores de karaokê. É impossível passar pela Estação da Lapa, mais precisamente na Rua Vinte e Quatro de Fevereiro, número 68, e não atentar para a movimentação que toma conta do Bar Karaokê da Lapa. Com nove anos de existência (antes, tinha o nome de Espeto e Cia), o bar aposta no karaokê para atrair a clientela. E a estratégia tem dado certo. "O meu primo, ex-dono daqui, recebeu a indicação de um amigo dele. Para fazer um teste, ele resolveu colocar o karaokê. Pegou e está até hoje. Só sucesso", entusiasma-se Elson Santana, 39 anos, dono do bar. Lá, o karaokê funciona de quarta a sexta, das 18h à meia-noite; e aos sábados, de 16h à meia-noite. Quem quer soltar a voz, tem que desembolsar R$ 2,50 por música.

Elson Santana, dono do Bar Karaokê da Lapa: karaokê para atrair a clientela. Foto: Raulino Júnior

Quanto ao faturamento relacionado ao karaokê, Elson se reserva e explica: "Isso eu não posso dizer, porque o karaokê é à parte. Quem faz o controle do karaokê é Jorge, que é o responsável. A gente faz o controle do bar. Não tem vínculo do bar com o karaokê. Jorge paga uma porcentagem, uma ajuda de custo, para cobrir algumas despesas". O "Jorge", citado por Santana, é Jorge Lobo, 56 anos, que, além de ser dentista, é dono e operador de karaokê. Há 20 anos trabalhando no ramo, Jorge tem na atividade uma forma de relaxar. "É um hobby. Eu frequento outros karaokês e canto também". Em fevereiro, inaugurou mais um ponto, no Botecão Bar e Restaurante, no Dois de Julho. "Aqui é mais tranquilo do que na Lapa, funciona apenas na sexta. Se o público começar a vir, a gente pretende colocar na quinta", afirma. No Botecão, a cobrança por música também é de R$ 2,50 e o funcionamento do karaokê começa às 18h e vai, em geral, até a 1h. Em média, oitenta a cem pessoas passam por lá.

Jorge Lobo, no Botecão Bar e Restaurante, no Dois de Julho: o "cara" do karaokê. Foto: Raulino Júnior

Jorge, que é bem conhecido no meio, tem oito aparelhagens de karaokê e faz, há 15 anos, aluguel para aniversários, formaturas, Natal e Ano Novo. Para alugar, o valor varia de R$ 200 a R$ 600. "Só o aparelho, sai por R$ 200; o aparelho com a TV, R$ 250; completo (aparelho, TV e dois microfones), R$ 300; para uma festa com aparelhos profissionais, microfones sem fio e iluminação, R$ 600. Depende do evento. O preço é mais 'a combinar'", revela. Como operador, no bar, Lobo conta que é preciso segurar os ânimos das pessoas que querem cantar: "Tem que ter tato. Tem gente que se sente estrela. Tem que saber lidar", desabafa. E completa: "Para os operadores, não é muito fácil, porque tem pessoas que são muito egoístas, querem cantar o tempo todo e passar na frente das outras. Então, a gente tem que saber administrar isso".

DJ Alex: o operador de karaokê do Bar Karaokê da Lapa. Foto: Raulino Júnior

Por isso, embora seja o dono, abdicou da operação do aparelho do Bar Karaokê da Lapa e deixou essa missão para o DJ Alex, 36 anos. Com experiência de três anos trabalhando com karaokê, Alex se vira para satisfazer os pedidos e a ânsia de cantar das mais de cem pessoas que frequentam o local nos dias mais disputados. "Na quarta e na quinta, que são os dias mais fracos, passam por aqui, em média, sessenta a oitenta pessoas; na sexta e no sábado, dias mais movimentados, de cem a 120", explica. O DJ não se esquiva e fala do faturamento: "Conseguimos faturar uma média de R$ 250, nos finais de semana; e R$ 100, nos dias normais".

Pedro Chaves, do Bar Lagoa dos Frades: pioneirismo. Foto: Raulino Júnior

No Bar Lagoa dos Frades, no Stiep (sigla originária de "Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Extração de Petróleo"), a realidade não é muito diferente. De acordo com o dono do bar, Pedro Chaves, de 48 anos, por dia, são vendidas, em média, oitenta fichas de karaokê. Lá, o valor para cantar uma música segue a mesma linha dos outros exemplos já citados nesta reportagem: R$ 2,50. "O estilo que o público mais canta é o sertanejo", assegura. O bar, que tem 23 anos e conta há 18 com karaokê, foi um dos primeiros a colocar a novidade. "Eu fui, praticamente, o pioneiro. Era uma novidade, que percebi que ia dar certo. Graças a Deus, deu mesmo". No Lagoa dos Frades, o funcionamento do karaokê é de terça a domingo, a partir das 16h. Na sexta e no sábado, vai até 23h30; nos demais dias, até as 22h30.

Cantores de karaokê

Uma das pessoas que contribuem para o faturamento do bar da Lapa é Nazário Nobre, 36 anos, que é, podemos dizer, "cantor profissional de karaokê". Nazário canta em karaokês há 14 anos e não titubeia quando responde por que gosta tanto da atividade: "Porque, para mim, é expressar os meus sentimentos e transpor o que eu sinto dentro da minha alma. A música faz parte da minha vida", filosofa. Nobre canta, em geral, músicas internacionais e é conhecido por fazer falsetes. Em média, por dia, gasta R$ 20 com música. Quando adiciona o gasto da consumação, desembolsa o total de R$ 50. Nazário teme se tornar um cantor profissional, porque isso, segundo ele, o distanciaria do público: "Eu tenho medo de chegar a esse extremo, porque o que mais me agrada é o contato físico com as pessoas que me ouvem, olham no fundo dos meus olhos e sentem a minha emoção, assim como também eu posso ver a emoção alheia pelo que eu transmito com a minha voz. Então, particularmente, eu penso que se eu estiver em cima de um palco, cantando para uma multidão de mais de cem ou mil pessoas, vai distanciar um pouco esse contato que eu tanto gosto". Para que os seus falsetes chegassem a mais pessoas, o cantor criou um canal no YouTube. As performances dele já têm mais de 80 mil visualizações.

Nazário Nobre: profissional de karaokê. Foto: Raulino Júnior

Há quem procure o karaokê apenas para se divertir, sem maiores pretensões. É o caso de Ana Santos, 44 anos. "Eu venho aqui [no Bar Karaokê da Lapa], há quase oito anos, para me divertir. Na verdade, foi a primeira vez que eu comecei a brincar de cantar, porque cantar eu não sei, só sei brincar. Assim, você se distrai, relaxa, faz amizade. É uma forma de espairecer um pouco. É muito bom". Com música, Ana gasta, em geral, a mesma quantia de Nazário: R$ 20. Ela gosta de cantar músicas populares e, entre os artistas prediletos, estão Kátia, Lulu Santos, Peninha, Alexandre Pires e Belo.

Ana Santos: "Eu venho aqui para me divertir, sem a intenção de me tornar artista profissional". Foto: Raulino Júnior

Seu Ferreirinha, 75 anos, canta há 26 em karaokês e utiliza a paixão por essa atividade para exercitar a sua profissão: ele é um dos cantores do Paraoano Sai Milhó, tradicional bloco de palhaços que faz história no Carnaval de Salvador desde 1964. "Já cantei em disputas de karaokê no Centro de Convenções. Fui chamado porque já tinha fama de 'cantor de karaokê'", orgulha-se o veterano. Frequentador do Botecão Bar e Restaurante, Seu Ferreirinha traz de casa o repertório, já com os códigos de todas as músicas que vai cantar: "Na relação, tem as músicas que ficam melhor na minha voz", destaca.

Seu Ferreirinha: cantor de karaokê há 26 anos. Foto: Raulino Júnior

O repertório de Seu Ferreirinha. Foto: Raulino Júnior

E tem cantor de karaokê que usa a atividade para fins terapêuticos. O contador Ednelson Mendonça, 61 anos, frequenta o Bar Lagoa dos Frades com esse objetivo: "O karaokê é um projeto que você canta sem ter o compromisso de errar ou acertar. Você canta para se divertir. Só é preciso ter um pouco de noção da harmonia da música. Eu gosto de cantar, tenho sintoma de Parkinson e o canto faz com que eu me exercite, me ajuda a relaxar mais", confessa.

Ednelson Mendonça: karaokê para tratar sintoma de Parkinson. Foto: Raulino Júnior

Ednelson gasta, em média, R$ 25 com o karaokê e gosta de cantar estilos como MPB, bolero e pop. Ele tem pretensão de cantar profissionalmente. "Estou me aposentando e vou me dedicar à música. Eu estudo canto e violão. Pretendo, sim, cantar profissionalmente".

Origem

A origem do karaokê tem versões controversas, mas há um ponto em comum entre todas as fontes de informação: foi criado no Japão, na década de 70 do século passado, por Daisuke Inoue. Por escolha editorial, o Desde seguirá a versão constante no site Guia dos Curiosos, do jornalista Marcelo Duarte. O músico Daisuke Inoue tocava em barzinhos, na cidade de Kobe. Alguns clientes subiam ao palco para cantar e, como Inoue não tinha o domínio de todas as músicas, pois não sabia ler partituras, teve que criar uma estratégia para não frustrar os cantores por ocasião. Foi aí que ele gravou as bases de algumas músicas numa fita cassete. Em 1971, de acordo com informações do Guia dos Curiosos, um dos cantores do bar quis contratá-lo para tocar numa viagem da empresa que trabalhava. Como Inoue tocava em vários lugares e não podia deixar as casas sem o seu serviço, "acabou inventando uma máquina semelhante a uma jukebox, com oito bases de músicas gravadas, para quebrar o galho". Estava criado o karaokê. Segundo o Guia, "o karaokê, cujo nome significa 'orquestra vazia', logo se tornou um grande sucesso. Mas Inoue não aproveitou os louros da descoberta. Ele não patenteou sua criação e acabou perdendo um mercado que gera 7,5 milhões de dólares por ano, só no Japão". O site do Guia dos Curiosos não indica se esses dados financeiros estão atualizados.

O termo "karaokê" se popularizou pelo Brasil como sinônimo de "videokê" também. Tanto é que, em todos os lugares visitados pela reportagem do Desde, o que se via era videokê. A diferença dessa modalidade para o karaokê, é que a letra da música a ser cantada aparece numa tela de TV ou numa projeção, para a pessoa acompanhar. Como o uso de "karaokê" é mais comum e plenamente compreensível, a matéria optou por utilizá-lo nas citações feitas ao longo do texto.

Direitos Autorais

Cantar em karaokês é superdivertido, eles têm o poder de aglomerar pessoas que, às vezes, nem se conhecem, mas que partilham de um momento de diversão e prazer. Mas, você já parou para pensar como fica o pagamento dos direitos autorais das músicas que são cantadas? Quando alguém canta num karaokê, executa música publicamente. Além disso, paga uma quantia para cantá-la. Como garantir os direitos dos autores das canções? O Desde entrou em contato com o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (ECAD), instituição privada responsável por centralizar e arrecadar os direitos autorais de execução pública de música, através da seção Fale Conosco do site oficial, e recebeu, por e-mail, a seguinte resposta em relação ao questionamento feito:

A Lei 9.610/98, com as alterações da Lei 12.853/13, regula os direitos autorais e, em seu artigo 68, diz que: “Sem prévia e expressa autorização do autor, não poderão ser utilizadas obras teatrais, composições musicais ou literomusicais e fonogramas, em representações e execuções públicas”. Como o Ecad é o representante legal dos titulares para realizar a cobrança, garantindo assim os seus direitos, torna-se necessário solicitar esta autorização prévia ao Ecad mediante o pagamento dos devidos direitos autorais.

É vedado ao Ecad conceder quaisquer isenções ou deduções na cobrança de direitos autorais de execução pública, salvo quando expressamente autorizado pelos titulares. Isso significa que o Ecad não tem poderes para deixar de efetuar a cobrança pelo uso de músicas de terceiros.
Não existe na Lei nenhuma exceção para o não pagamento dos direitos autorais, exceto quando a execução musical for realizada no recesso familiar ou para fins exclusivamente didáticos, nos estabelecimentos de ensino, não havendo em qualquer caso intuito de lucro. Apesar disso, no Regulamento de Arrecadação determinado pelas associações que administram o Ecad, está previsto uma redução de até 50% do valor da retribuição autoral para eventos beneficentes realizados por entidades comprovadamente filantrópicas.
O Regulamento de Arrecadação leva em conta a importância da música (indispensável, necessária ou secundária) no estabelecimento, a atividade exercida pelo usuário, periodicidade da utilização (se permanente ou eventual) e se a apresentação é feita por música mecânica ou ao vivo, com ou sem dança.


Será que todo mundo pode cantar mesmo? Fica a reflexão.

Rua Vinte e Quatro de Fevereiro. Foto: Raulino Júnior

Esta reportagem foi produzida no período de 4 a 11 de março de 2017. O Desde agradece a todos os participantes, em especial a Nazário Nobre e Jorge Lobo, que contribuíram bastante nas indicações das fontes. Muito obrigado.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Fundação Gregório de Mattos apresenta ações de fomento à cultura para 2017

Seis editais foram lançados, com destaque para o "Espaços Boca de Brasa" e mais uma edição do "Viva Cultura", além de iniciativas voltadas para o patrimônio
Cerimônia de lançamento dos editais 2017 da Fundação Gregório de Mattos. Da esquerda para a direita: Claudio Tinoco, ACM Neto, Fernando Guerreiro e João Roma. Foto: Raulino Júnior

Recepcionados por integrantes do projeto Personagens Vivos, cuja finalidade é resgatar a memória de personalidades — reais ou fictícias — que dialogam com a cultura baiana, produtores, artistas e profissionais da imprensa participaram, na tarde de hoje, do evento realizado pela Fundação Gregório de Mattos (FGM) para anunciar as ações de fomento cultural para o ano de 2017. A cerimônia, que fez parte das comemorações pelos 468 anos de Salvador, embora o aniversário seja no dia 29, começou com quarenta minutos de atraso (estava marcada para as 15h), evidenciando mais um traço marcante da cultura soteropolitana. Foi tempo suficiente para "Dona Flor e seus Dois Maridos" desfilarem pelo espaço (o Teatro Gregório de Mattos), "Carmen Miranda" exibir sua indumentária, "Raul Seixas" bater papo com a equipe de som, e "Zumbi", "Castro Alves" e "Gregório de Mattos" serem requisitados para selfies.
Artistas, produtores culturais e profissionais da imprensa lotaram o Teatro Gregório de Mattos. Foto: Raulino Júnior

Assim que Antonio Carlos Peixoto de Magalhães Neto (ACM Neto), prefeito de Salvador, chegou ao evento com a sua trupe (Claudio Tinoco, secretário municipal de Cultura e Turismo e João Roma, Chefe de Gabinete); Fernando Guerreiro, presidente da FGM, abriu os trabalhos: "Tudo isso que está sendo feito aqui é para a classe artística e cultural de Salvador". Em seguida, falou dos seis editais que serviram de mote para a reunião: Selo João Ubaldo Ribeiro - Ano II (visa publicar oito obras de autores soteropolitanos. As categorias são: conto, crônica, dramaturgia, infantil, poesia, romance, republicação e categoria livre), Arte Todo Dia - Ano III (vai premiar 30 propostas artístico-culturais de pequeno porte, com premiação entre 10 e 30 mil reais), Viva Cultura (incentivo fiscal para projetos artístico-culturais de todas as linguagens, com orçamento de até 300 mil reais), Capoeira Viva Salvador (vai premiar nove propostas voltadas para a promoção e preservação da capoeira, com prêmios de 15 a 30 mil reais), Espaços Boca de Brasa (vai selecionar três projetos de instituições culturais sem fins lucrativos, a fim de transformá-las nos Espaços Boca de Brasa. O investimento será de 150 mil reais por projeto) e o Arte na TV - Ano II (vai selecionar projetos de produção audiovisual. De acordo com o informativo distribuído no encontro, esse edital está "em fase de pesquisa e articulações para definição do conceito, distribuição do recurso, modalidades e quantitativo de projetos". A previsão de abertura das inscrições é para o mês de junho).

Fernando também destacou as iniciativas voltadas para a preservação do patrimônio cultural. Na lista, o tombamento da Pedra de Xangô e da Estátua do Cristo Salvador, o Selo Memória Cultural de Salvador, que será concedido a estabelecimentos importantes para o cotidiano cultural da cidade, e a série de debates Patrimônio é..., que tem como intuito promover a educação patrimonial.

Investimento
ACM Neto falou da política cultural de Salvador. Foto: Raulino Júnior

A prefeitura de Salvador vai investir 8 milhões de reais nos editais de fomento. "A gente não olha o recurso que é aplicado na cultura como uma simples despesa pública, nós olhamos como investimento. Investimento no presente e investimento no futuro da nossa cidade", pontuou ACM Neto. Para o chefe do Executivo municipal, o acesso democrático aos recursos é uma marca de sua gestão: "É claro que a nossa prioridade é ajudar quem não tem os meios comerciais para se estabelecer, isso não quer dizer que a gente não possa também investir e apoiar iniciativas de grande porte. No entanto, a prioridade é pegar o pequeno produtor, é pegar aquela iniciativa que brota dos guetos da cidade e dar condições para que essas iniciativas se coloquem de pé e se materializem. Isso está na essência de toda a nossa política cultural". Em seu discurso, o prefeito anunciou que o primeiro Espaço Boca de Brasa da cidade será, provavelmente, o de Coutos, e disse que o regulamento do Viva Cultura será publicado em pouco tempo. "Já combinei com Guerreiro: nós vamos fazer uma ampla divulgação, vamos dar ampla publicidade, sobretudo às empresas, para que elas se sintam estimuladas a apoiar projetos culturais que vão ser aprovados por uma comissão técnica e, em contrapartida, essas empresas vão ter o benefício da redução dos seus tributos, tanto na possibilidade do pagamento do ISS [Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza], como na possibilidade do pagamento do IPTU [Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana], que são os dois principais tributos municipais".

Reações

O músico Makonnen Tafari, 19 anos, da Associação Cultural Hip Hop Inovação e do grupo Nova Saga, aprovou as novidades apresentadas pela FGM: "Achei muito interessante. Pelas propostas que eu vi, eu percebi que, cada vez mais, vai aumentar o espaço para nós, que somos artistas e produtores. É cada vez mais interessante que possa chegar aos artistas que estão distantes, para que possam apresentar o trabalho com uma estrutura boa e também ter um um retorno financeiro".
Makonnen Tafari, do Nova Saga: "Vai aumentar o espaço para nós, que somos artistas e produtores". Foto: Raulino Júnior

O cantor e compositor Tonho Matéria, 52 anos, um dos vocalistas do Ara Ketu, considerou importante a iniciativa do edital Capoeira Viva Salvador, mas acha que outras ações mais significativas deveriam ser feitas para a promoção e preservação da arte: "Toda proposta é viável para a capoeira. A capoeira foi o primeiro movimento de luta, de combate ao racismo, à discriminação e sempre esteve na frente e à frente de tudo isso que está acontecendo. Os benefícios que são fomentados para a capoeira ainda é muito pouco para o que nós necessitamos enquanto capoeiristas. Um edital é pouquíssimo, ele não abrange as nossas necessidades. Claro que dá visibilidade e oportunidade para a gente fazer algumas coisas nas nossas comunidades, mas isso é muito pouco diante do que gente faz durante o ano inteiro. Acrescentaria mais se esse edital se transformasse num projeto de lei. É necessário que as políticas de fomento deem a possibilidade de termos um projeto sendo apoiado, mas a gente quer além disso. A gente não quer só fazer aquele projeto e passar aquele projeto naquele tal edital. A gente quer que, durante o ano inteiro, nossas ações sejam realmente vivas", criticou o artista, que também é mestre de capoeira, produtor cultural e publicitário. Em 2014, a Organização das Nações Unidas  para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) reconheceu a capoeira como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Tonho Matéria, sobre o Capoeira Viva: "Um edital é pouquíssimo, não abrange as nossas necessidades". Foto: Raulino Júnior

Para saber mais informações sobre os editais lançados pela Fundação Gregório de Mattos, acesse os seguintes links:

1) Selo Literário João Ubaldo Ribeiro - Ano II: www.seloano2.salvador.ba.gov.br.
2) Arte Todo Dia - Ano III: www.artetododia.salvador.ba.gov.br.
3) Viva Cultura: www.vivacultura.salvador.ba.gov.br.
4) Capoeira Viva Salvador: www.capoeiraviva.salvador.ba.gov.br.
5) Espaços Boca de Brasa: www.bocadebrasa.salvador.ba.gov.br.
6) Arte na TV - Ano II: www.artenatv.salvador.ba.gov.br.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Antonio Cozido, Dança e Swing Afro-Baiano

Em entrevista exclusiva para o Desde, dançarino fala sobre carreira, cultura e realidade da dança na Bahia
Antonio Cozido: de jogador de futebol a criador do Swing Afro-Baiano. Foto: Raulino Júnior

O blog Desde que eu me entendo por gente completou seis anos em atividade no dia 1º de janeiro de 2017. Para comemorar a caminhada até aqui, estamos publicando uma série de entrevistas com pessoas que fazem Salvador acontecer. Homens e mulheres que dão a sua contribuição para a nossa cultura. Na última entrevista da série, o convidado é Antonio Cozido, dançarino, coreógrafo, ator, diretor e produtor cultural.

Antonio Cozido é o último entrevistado da série em comemoração pelos seis anos do Desde. Imagem: reprodução do vídeo

Antonio Cozido é formado em dança pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e pós-graduado em coreografia, pela mesma instituição. Com mais de 30 anos de carreira, ele já foi dançarino de Daniela Mercury e trabalhou com artistas de todas as gerações da Axé Music.  Nesta entrevista exclusiva que concedeu para o Sem Edicão, conteúdo audiovisual do DesdeCozido fala sobre o início de sua carreira, o seu processo criativo e de como elementos da cultura afro estão, naturalmente, nas coreografias que cria. Opina sobre o caráter midiático que a dança ganhou e sobre o fenômeno FitDance. O artista fala ainda de Swing Afro-Baiano, modalidade que criou, e reflete sobre a realidade da dança na Bahia. A sua participação no filme Cinderela Baiana, a origem do seu apelido e a dança como adereço também figuram na conversa: "As pessoas usam mais como pano de fundo, colocando bailarino para preencher o palco, para dar uma roupagem diferenciada na música, no trabalho, no show".

Assista, no vídeo abaixo, à entrevista com Antonio Cozido, no Sem Edição:

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Ildazio Tavares Júnior, Rádio e Entretenimento

Em entrevista exclusiva para o Desde, radialista fala de carreira, cultura baiana e negócios
Ildazio Tavares Júnior: um homem de negócios e do rádio. Foto: Raulino Júnior

O blog Desde que eu me entendo por gente completou seis anos em atividade no dia 1º de janeiro de 2017. Para comemorar a caminhada até aqui, estamos publicando uma série de entrevistas com pessoas que fazem Salvador acontecer. Homens e mulheres que dão a sua contribuição para a nossa cultura. O convidado de hoje é Ildazio Tavares Júnior, radialista, administrador, produtor cultural e empresário.

Ildazio Tavares Júnior é o sexto entrevistado da série em comemoração pelos seis anos do Desde. Imagem: reprodução do vídeo

Ildazio Júnior é um homem de negócios e do rádio. Formado em administração de empresas pela Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC), ele atuou no ramo de bares, restaurantes e casas noturnas por mais de 30 anos. Boate Marrakesh, Rock in Rio Café, Tapioca, Divina, Foguetes e Padaria Bar são alguns dos empreendimentos que administrou. Paralelo a isso, ingressou no rádio e descobriu mais uma paixão na vida. Nesta entrevista exclusiva que concedeu para o Sem Edicão, conteúdo audiovisual do Desde, Ildazio fala sobre como começou a sua história no rádio, elenca os programas pelos quais passou, explica o perfil do Conectados (programa que apresenta na Rádio Excelsior FM, de segunda a sexta, das 13h às 14h) e analisa  a cena do rádio na capital baiana. Revela como foi a experiência de participar do reality show Hipertensão, da Rede Globo, em 2002, opina sobre a noite de Salvador, enfatizando o segmento de bares e restaurantes, e sobre o documentário Axé - Canto do Povo de Um Lugar, de Chico Kertész. No final, fala sobre os riscos de se deixar seduzir pelas tentações da indústria do entretenimento: "É quase que impossível resistir ao canto da sereia". 


Assista, no vídeo abaixo, à entrevista com Ildazio Tavares Júnior, no Sem Edição:

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Leno Sacramento, Bando de Teatro Olodum e Arte Engajada

Em entrevista exclusiva para o Desde, ator fala sobre o ingresso no Bando de Teatro Olodum, experiências artísticas e novos projetos
Leno Sacramento: transformação social através da arte. Foto: Raulino Júnior

O blog Desde que eu me entendo por gente completou seis anos em atividade no dia 1º de janeiro de 2017. Para comemorar a caminhada até aqui, estamos publicando uma série de entrevistas com pessoas que fazem Salvador acontecer. Homens e mulheres que dão a sua contribuição para a nossa cultura. O convidado de hoje é Leno Sacramento, ator, integrante do Bando de Teatro Olodum (BTO), produtor cultural, diretor, dramaturgo e youtuber.

Leno Sacramento é o quinto entrevistado da série em comemoração pelos seis anos do Desde. Imagem: reprodução do vídeo

Oriundo do bairro de Castelo Branco, em Salvador, Leno Sacramento ganhou o mundo ao ingressar no Bando de Teatro Olodum, grupo que promove discussões críticas acerca do negro na sociedade. Com talento, carisma e determinação, marcou o seu nome nas artes cênicas brasileiras, sempre promovendo questionamentos bastante significativos através de seu trabalho. Nesta entrevista exclusiva que concedeu para o Sem Edicão, conteúdo audiovisual do Desde, o ator fala sobre o seu ingresso no BTO, em 1996, da vivência no grupo, da polêmica envolvendo o espetáculo Cabaré da RRRRRaça, mesmo antes da estreia, e dos projetos que encabeça fora do Bando. Na conversa, Leno ainda reflete sobre o desafio de promover a formação de plateia em Salvador e sobre a indústria da cortesia (a prática de as pessoas irem ao teatro apenas quando ganham os convites). O artista comenta sobre os vídeos da Ouriçado Produções (seu canal no YouTube que ressignifica a expressão "humor negro") e sobre o espetáculo Eles Não Sabem de Nada, manifesto feminista de sua autoria. Sacramento revela os planos artísticos para 2017 e fala da razão da falta de patrocínio do BTO: "É difícil você patrocinar um grupo que fala sobre extermínio de jovens, opção sexual, racismo, igualdade… A gente não quer falar de outras coisas que não seja isso, porque foge do nosso propósito”.


Assista, no vídeo abaixo, à entrevista com Leno Sacramento, no Sem Edicão:


domingo, 29 de janeiro de 2017

Madá Negrif, Moda Afro e Empreendedorismo

Em entrevista exclusiva para o Desde, a estilista fala sobre o início de sua carreira na moda, responsabilidade social e o sucesso da Negrif
Madá Negrif mostra algumas de suas peças: identidade étnica e exclusividade. Foto: Raulino Júnior


O blog Desde que eu me entendo por gente completou seis anos em atividade no dia 1º de janeiro de 2017. Para comemorar a caminhada até aqui, estamos publicando uma série de entrevistas com pessoas que fazem Salvador acontecer. Homens e mulheres que dão a sua contribuição para a nossa cultura. Hoje, é a vez de Madá Negrif, designer de moda, estilista, empresária e fundadora da Negrif, marca que trabalha com afirmação da cultura negra.

Madá Negrif é a quarta entrevistada da série em comemoração pelos seis anos do Desde. Imagem: reprodução do vídeo

Madá começou a sua carreira no ramo da moda como sacoleira. O empreendimento deu tão certo que, em 2011, ela conseguiu fundar a sua loja física. Assim, nascia a Negrif, que, em pouco tempo, virou símbolo de resistência da cultura negra de Salvador. Nesta entrevista exclusiva que concedeu para o Sem Edicão, conteúdo audiovisual do Desde, a empresária fala sobre o seu início como sacoleira, o mercado de moda da Bahia, o sucesso e expansão da Negrif. Além disso, Madá reflete sobre a responsabilidade social que tem ao trabalhar com moda afro e sobre as discussões acerca de polêmicas envolvendo temas como apropriação cultural: "Cada um é livre para usar o que quer, o que acredita e o que se sente bem".

Assista, no vídeo abaixo, à entrevista com Madá Negrif, no Sem Edicão:


domingo, 22 de janeiro de 2017

Clarindo Silva, Cantina da Lua e Centro Histórico de Salvador

Em entrevista exclusiva para o Desde, coordenador do Projeto Cultural Cantina da Lua fala sobre fatos de sua vida, a luta para revitalizar o Pelourinho e aspectos da cultura salvadorense
Clarindo Silva em uma das mesas da Cantina da Lua: história viva do Centro Histórico de Salvador. Foto: Raulnio Júnior


O blog Desde que eu me entendo por gente completou seis anos em atividade no dia 1º de janeiro de 2017. Para comemorar a caminhada até aqui, estamos publicando uma série de entrevistas com pessoas que fazem Salvador acontecer. Homens e mulheres que dão a sua contribuição para a nossa cultura. O convidado de hoje é Clarindo Silva, coordenador do Projeto Cultural Cantina da Lua, empresário, produtor cultural, jornalista, compositor, chef de cozinha,  mestre em História da Bahia e escritor.


Aos 74 anos de idade, a vida de Clarindo Silva de Jesus se confunde com a história do Centro Histórico de Salvador (CHS). O simpático senhor que caminha pelas ruas do Pelourinho é um conhecedor nato de suas artérias, como ele próprio denomina as vias que levam ao famoso ponto turístico da cidade, tombado, em 1985, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), como Patrimônio Cultural da Humanidade. Nesta entrevista exclusiva que concedeu para o Sem Edicão, conteúdo audiovisual do Desde, Clarindo discorre sobre aspectos da cultura salvadorense, conta como arrendou a septuagenária Cantina da Lua, lista algumas personalidades que já passaram pelo local, lembra as homenagens que recebeu pelo trabalho que realiza, narra o infeliz episódio de preconceito racial de que foi vítima na infância, explica o motivo de sempre usar roupas brancas, fala da polêmica em torno de sua eleição como Rei Momo do Carnaval de Salvador, em 2008, e dos esforços que fez (e faz!) para revitalizar o CHS: “Os baianos precisam se apropriar do Pelourinho”.

Assista, nos vídeos abaixo, à entrevista com Clarindo Silva, no Sem Edicão:

Sem Edição| Clarindo Silva, Cantina da Lua e Centro Histórico de Salvador - Parte 1

Sem Edição| Clarindo Silva, Cantina da Lua e Centro Histórico de Salvador - Parte 2


Observação: por causa de um problema técnico bastante perceptível no final do primeiro vídeo, a entrevista teve que ser dividida em duas partes. Desde já, a produção do Sem Edição pede desculpas pelo inconveniente.

Agradecimentos especiais ao turista paulista Vitor Custódio, que auxiliou na produção do segundo vídeo. Obrigado, Vitor!


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