terça-feira, 28 de novembro de 2017

Axé Music feito no México: o Samba Mestiço da banda Caboclo

Prestes a lançar o primeiro álbum, intitulado Alegría, banda mexicana de Axé Music difunde gênero baiano na América do Norte
Banda Caboclo: Axé Music feito no México. Da esquerda para a direita: Katy Barbosa, Santiago Buck, Omar Diupotex, Lu-Yang Lee, Alfredo Galván, Adrián Sánchez, Hugo Mendoza e José Carlos "Pepillo" de la Rosa. Imagem: montagem feita a partir de fotos de Elizabeth Martínez
Por Raulino Júnior || Reportagem Especial||

Nesta quinta-feira, 30 de novembro, terá festa com música baiana na Cidade do México. A responsável por isso é a banda Caboclo, que vai lançar, no espaço cultural Multiforo 246, o seu primeiro álbum, Alegría, uma síntese das pesquisas feitas acerca do gênero Axé Music. Fundada em 2013, por Santiago Buck e Héctor González, com o intuito de integrar o Axé à cena musical do México, atualmente, a Caboclo é formada por Santiago Buck (direção musical e percussão), Katy Barbosa (voz), Omar Diupotex (guitarra), Lu-Yang Lee (teclado), Alfredo Galván (baixo), Adrián Sánchez (surdos), Hugo Mendoza (bateria) e José Carlos "Pepillo" de la Rosa (percussão). Tendo Carlinhos Brown e Ivete Sangalo como as principais influências do Axé Music, a banda bebe na fonte da musicalidade brasileira e extrapola o gênero criado por Luiz Caldas, em 1985. "Minhas influências de música brasileira não são só de Axé Music. Na verdade, sou amante do samba, MPB, rock, pagode, forró. Apenas para citar alguns artistas que eu considero como fonte de inspiração, temos Gilberto Gil, Caetano Veloso, Fundo de Quintal, Arlindo Cruz, O Rappa, Luiz Gonzaga e Seu Jorge", afirma Santiago Buck, que pesquisa música brasileira há mais de dez anos. "Tenho onze anos fazendo música brasileira profissionalmente. Estudei vendo vídeos de Carlinhos Brown, Olodum, Ilê Aiyê etc. Fui ao Brasil, em 2015, com a única intenção de estudar ritmos tradicionais. Comecei a viagem por Recife. Lá, estudei maracatu, afoxé e um pouco de forró. Depois, fui a Salvador, onde estudei com Kinho Santos. Aprendi música de raiz, samba de cabula, samba-duro, samba-reggae. A última parte da viagem foi no Rio de Janeiro, onde estudei samba-enredo". O músico cita ainda Chiclete com Banana e Banda Eva como bandas que influenciam o som da Caboclo.

Axé Music feito no México

Santiago conheceu o Axé Music em 2004, quando começou a praticar capoeira no grupo mexicano Capoeira Longe do Mar. Durante as aulas, escutou pela primeira vez as músicas de Caetano Veloso, Daniela Mercury, Timbalada etc. "Naquela época, eu não sabia o que era o Axé Music nem tampouco que ele ia definir a minha vida. Foi lá que comecei com a música brasileira, fazendo batucadas. Graças a isso, conheci alguns brasileiros, que me convidaram para tocar com eles. Em 2010, foi criado o Axé Pracatum, com a ideia de ser o primeiro grupo de Axé Music do país, mas acabou por ser um bloco de rua. Em 2013, saí do Axé Pracatum junto com Héctor. Nesse momento, decidimos formar a Caboclo". Héctor não está mais na banda, mas continua amigo de Santiago e acompanha as ações do grupo.

Arte: Proyecto Patuá Capoeira
Fazer Axé Music no México, de acordo com Buck, é difícil. "Axé Music não existe aqui. Na verdade, as pessoas gostam de ouvir, embora não saibam o que é Axé. Elas não sabem o que fazer com o ritmo. Alguns dançam como se fosse ska ou merengue. Para que seja aceito aqui, temos que fazer adaptações com músicas e ritmos conhecidos", explica. Ainda assim, o gênero baiano consegue coexistir com a música ranchera e os mariachi, tão comuns e tradicionais na cultura musical mexicana. "O Axé Music é considerado como world music. Isso faz com que não façamos parte de uma cena musical específica e é mais difícil de nos posicionarmos em festivais importantes. Somos considerados músicos exóticos, mas o mexicano escuta de tudo e dança de tudo. Quando ouvem novas músicas tão enérgicas quanto o Axé, curtem demais".

Samba Mestiço da banda Caboclo

O lançamento do EP Alegría, que se concretizará na próxima quinta-feira, chega para cumprir a meta estabelecida pela Caboclo para 2017. O disco é composto por seis faixas, nas quais fica evidente a qualidade musical e o trabalho de pesquisa que há por trás de cada canção. Caboclo/Besar Tu Boca (Luis Noa Pluma), a primeira do álbum, tem arranjo que lembra as músicas do início do Axé Music, antes de o gênero se tornar amplamente comercial e quando flertava de forma intensa com a lambada. A introdução, intitulada de Caboclo (Santiago Buck), de acordo com Santiago, foi composta "para dar uma visão geral da nossa música e está ligada com Besar Tu Boca, uma mistura de samba-merengue e comparsa cubana". A faixa Como Te Explico (Juan Alberto Otero Lara) é uma balada romântica, com percussão bem marcada e letra que fala de amor, de relacionamento. Tem Que Diz (Santiago Buck/David Contreras), a terceira, é um forró com letra engajada e cheia de metáforas. "É a primeira composição do grupo e a única música composta em português. Fala dos problemas da gente, do governo e da manipulação da mídia", pontua Santiago. Alegría de Vivir (Luis Noa Pluma), a música de trabalho, é uma das melhores do EP. A batida, o arranjo e a letra estão em sintonia e lembram muito o que se fazia por aqui, nos áureos tempos do Axé. Tambor (Luis Noa Pluma) é "uma das músicas que mais representam nosso jeito de fazer Axé Music", destaca Buck. Para fechar o EP, a banda traz uma regravação da música Pata de Perro, da banda Maldita Vecindad y Los Hijos del 5º Patio.

Capa do EP Alegría, da banda Caboclo. Arte: Proyecto Patuá Capoeira
De acordo com Santiago Buck, o processo de produção do álbum foi divertido. "Um experimento do início ao fim", revela. Cinco músicos foram convidados para colaborar na gravação do disco: Enrique Nativitas (bateria na música Tambor), Saúl Chávez (pandeiro em Alegría de Vivir), Gillo Telo (congas em Tambor e Pata de Perro), Luis Noa Pluma (voz em Alegría de Vivir) e Guilherme Milagres (viola caipira em Tem Que Diz). Guilherme é considerado por Santiago um dos melhores músicos brasileiros presentes no México. O baterista Hugo Mendoza trabalhou de forma intensa para o disco sair com a sonoridade que a banda aspirava, pois, como confidencia Buck, no México não há engenheiro de som que conheça timbaus, surdos, repiques etc. A música Alegría de Vivir mostra o resultado de tanto esforço:


Questionado sobre o que o público mexicano pode esperar do disco, o diretor musical da Caboclo aposta na alegria. "O público mexicano pode esperar músicas com um ritmo novo para eles, mas com um toquezinho de "candela", que eles já conhecem. Eles poderão dançar, cantar e curtir o Axé Music, o samba mestiza". E o povo brasileiro? "Nós fizemos uma nova maneira de compor Axé Music, mas com o máximo de respeito. O povo brasileiro pode esperar uma mistura gostosa da sua música, com um toque picante do México". Quanto ao legado que banda quer deixar com o primeiro álbum, Santiago Buck é categórico: "Todos temos sangue africano, indígena e europeu. O legado é este: aproximar nossos irmãos da música de nossos irmãos". E essa aproximação pode chegar até aqui, literalmente. Há planos de uma turnê da banda em solo brasileiro: "Quando fundei a banda, tinha o sonho de levar a nossa música para o Brasil, mas isso é complicado, pela falta de recursos. Agora, com o disco pronto, houve muito interesse da comunidade brasileira no México para que isso acontecesse. Graças a isso, a nossa agência de promoção está fazendo contato com a embaixada brasileira e pesquisando meios para que a viagem aconteça". A gente fica na torcida.

Com a palavra, Katy Barbosa
Foto: Elizabeth Martínez
A atual vocalista da banda Caboclo, Katy Barbosa, é brasileira e baiana (nascida em Salvador). Santiago a conheceu trabalhando num carnaval. "Ela fazia parte do grupo de dançarinas. No caminho de volta para casa, começou a cantar e, nesse momento, vi que ela poderia ser a voz que precisávamos. O principal aporte que ela deu para o grupo foi a sua energia e presença de palco. Também fez arranjos na voz e nos coros, ensinou novas canções e propôs ritmos para as músicas", reconhece o diretor.

Katy tem 26 anos, é nascida e criada no bairro Beiru/Tancredo Neves, em Salvador. A música sempre esteve presente em sua casa, pois a mãe é cantora. Começou a cantar aos seis anos, numa comunidade evangélica e, desde então, nunca mais parou. Além de cantar, compõe: "Tenho algumas canções em parceria com duas amigas, mas o mercado é pesado", avalia. Na capital baiana, teve uma breve experiência na banda Samba Comunidade, da Federação. "Cheguei a gravar DVD com eles, mas somente como vocal". Aos 19 anos, saiu de Salvador com destino a Fortaleza (Ceará). Em setembro de 2015, deixa Fortaleza e vai para o México. Nesta entrevista exclusiva que concedeu para o Desde, via Instagram, Katy fala sobre o que motivou a ida para o México, como conheceu a Caboclo, quais artistas da Axé Music admira e sobre o apoio que recebe de familiares e amigos para seguir a carreira.

Desde que eu me entendo por gente: o que a fez tentar a carreira no México?

Katy Barbosa: A vontade de crescer e ser independente foi fundamental. Apareceu a oportunidade de mudar para Fortaleza e eu agarrei com unhas e dentes. Lá, vivi por quatro anos e trabalhei em várias bandas de forró. Até então, o México não era um destino. Não foi nada planejado. Quando aconteceu, eu me permiti. Agarrei também a oportunidade e vim sem medo.

Desde: Como conheceu a Caboclo?

KB: A comunidade brasileira no México é muito grande. Na maioria das vezes, todos trabalhamos juntos, brasileiros e mexicanos. Conheci Santiago Buck, fundador e coordenador da Caboclo, numa dessas situações. Ele é uma pessoa maravilhosa.

Desde: Quando e como foi o convite para entrar na banda?

KB: A ex-cantora da Caboclo [Kika Sinatra], que é mexicana e muito minha amiga, decidiu se dedicar à sua vida pessoal. Com isso, a banda precisava de uma cantora para seguir com o projeto. Santiago, como já conhecia o meu trabalho, me convidou e eu logo aceitei.

Desde: Como as pessoas do México recebem o Axé Music?

KB: Os mexicanos são curiosos. Adoram o Brasil e tudo que vem de lá. Não conhecem muito a cultura, é tudo muito novo, mas eles amam. Escutam os tambores e se emocionam. É bonito de ver.

Desde: Quais artistas do Axé Music você admira e tem como referência?

KB: Obviamente, os maiores nomes e referências da nossa música baiana são Ivete Sangalo, Margareth Menezes e Daniela Mercury. Eu não me prendo a um só estilo. Escuto de tudo, aprendo de tudo um pouco, porque música é diversidade.

Desde: Visita o Brasil com frequência?

KB: Estou fora do país há apenas dois anos. Não vou com frequência e a saudade está equilibrada.

Desde: Você recebe apoio de familiares e amigos para continuar na carreira?

KB: Sou filha única. Minha mãe é supercoruja. Tenho primos e amigos que são como irmãos, todos torcem pelo meu sucesso. Eu sou grata a Deus e à vida por ter pessoas assim pertinho, mesmo estando longe.

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sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Somos todos infratores

Palestra discute direito autoral e mostra as brechas da lei
Ricardo Duarte na Biblioteca Central do Estado da Bahia: direito autoral em pauta. Foto: Raulino Júnior
Por Raulino Júnior || Reportagem Especial||

Na manhã desta sexta-feira, a Biblioteca Central do Estado da Bahia (BCEB) promoveu, integrando a programação da Semana Nacional do Livro e da Biblioteca, a palestra Direito Autoral e a Cópia de Livro, ministrada por Ricardo Duarte, advogado autoralista e diretor do Instituto Baiano de Direito Intelectual (IBADIN). Na ocasião, Ricardo falou sobre a proteção dos direitos autorais no contexto das novas tecnologias e como o cidadão, muitas vezes sem saber, comete crimes relacionados à propriedade intelectual.

Propriedade Industrial x Direitos Autorais

De forma didática, o advogado fez questão de esclarecer a diferença entre propriedade intelectual e direitos autorais. "Não se pode confundir direitos autorais com propriedade industrial. A criação voltada para a indústria não é protegida por direitos autorais", ressaltou. A propriedade industrial é regulada pela Lei 9.279/96 e diz respeito à concessão de patentes, registros de desenho industrial e marca, repressão às falsas indicações geográficas e à concorrência desleal. Já os direitos autorais são regidos pela Lei 9.610/98 e se referem às obras literárias, artísticas ou científicas.

Para assegurar o direito autoral, o registro da obra não é obrigatório. A redação da Lei, no artigo 18, traz o seguinte: "A proteção aos direitos de que trata esta Lei independe de registro". "Para garantir os direitos autorais, mais importante do que o registro, é ter a prova de que sou o autor", afirma Duarte. Contudo, para a proteção dos direitos relativos à propriedade industrial, é fundamental que o registro seja feito. "Se não fizer, você perde a paternidade, porque outra pessoa pode fazer", completa. 

Novas tecnologias e reprodução de "pequenos trechos"

As tecnologias da informação e da comunicação facilitaram os processos de trabalho no mundo inteiro, mas, para os criadores de obras intelectuais, elas trouxeram também muita dor de cabeça. Isso porque até existe a regulação, mas não o devido controle. Na palestra, Ricardo deu exemplo de softwares que facilitaram o acesso a obras, como Napster e Kazaa, mas que não asseguravam, de forma ampla e regulada, os direitos de autor. O advogado citou ainda a licença Creative Commons, na qual o autor, voluntariamente, disponibiliza a sua criação.

A tônica da palestra foi a discussão acerca da reprodução de "pequenos trechos" de obras intelectuais. No artigo 46, quando fala sobre o que não constitui ofensa aos direitos autorais, a lei afirma: "A reprodução, em um só exemplar de pequenos trechos, para uso privado do copista, desde que feita por este, sem intuito de lucro". Não precisa nem ser da área de direito para perceber que há brechas na afirmação. "O que a lei considera como 'pequenos trechos'? Num livro de 500 páginas, copiar metade, é um pequeno trecho? Para mim, não. 20 páginas, para mim, já é", reflete Ricardo. Ou seja, o critério é inconsistente e subjetivo.

Ainda dentro desse debate, o advogado citou as copiadoras presentes em universidades, que, muitas vezes, fazem cópias integrais de livros. "A lei atual está defasada, nesse sentido da cópia privada. A nova lei vai permitir a cópia integral". Duarte defende a compensação equitativa, que consiste na utilização livre de cópia integral sem visar lucro, desde que haja uma forma coletiva de arrecadação para os autores. "Em Portugal, isso já existe", assegura.

Vitor Brito: "A autoria não é delegável". Foto: Raulino Júnior

Durante o encontro, os participantes também tiveram noções sobre a teoria dualista do direito autoral: direitos morais e direitos patrimoniais. Os direitos morais são aqueles que se referem aos direitos da personalidade e são irrenunciáveis. Mesmo que alguém queira, não é permitido abrir mão da autoria da obra. Os direitos patrimoniais são aqueles que permitem o autor lucrar com a utilização de suas obras intelectuais. O autor pode autorizar a exploração econômica da obra por outras pessoas. Os direitos patrimoniais são renunciáveis.

O administrador Vitor Brito, 30 anos, achou as informações passadas na palestra bem interessantes: "Ele trouxe conhecimentos, da área de direito autoral, que eu não conhecia. Para quem tem interesse de ser autor, foi muito bom. A gente tem que se apoderar da nossa criação. A autoria não é delegável a outra pessoa". 

Com a palavra, Ricardo Duarte

Foto: Raulino Júnior
Ricardo Duarte tem 29 anos e é graduado em Direito, pela Faculdade Ruy Barbosa (FRB). Fez especialização em Direito Processual Civil, na Universidade Salvador (UNIFACS), e mestrado em Direito, na Universidade Federal da Bahia (UFBA). É professor universitário, membro e diretor do Instituto Baiano de Direito Intelectual (IBADIN). Em entrevista exclusiva para o Desde, ele fala sobre garantias do direito do autor, infrações, autoplágio e a principal novidade que consta no projeto da nova lei de direito autoral.

Desde que eu me entendo por gente: O que um cidadão pode fazer para, de fato, garantir os direitos dos autores?

Ricardo Duarte: Em regra, para qualquer tipo de utilização, é preciso requerer a autorização do autor. A melhor forma possível, depende do tipo de obra intelectual. Se for uma música, o que eu sugiro é buscar as associações musicais ou o próprio ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), caso você não saiba quem seja o autor daquela música. Agora, se o sujeito, de forma alguma, consegue encontrar o autor para pedir uma autorização, eu recomendo resguardar a boa-fé. O que é isso? É divulgar em um jornal de grande circulação, ou na TV, ou na rádio.

Desde: Qual é a infração mais comum que as pessoas cometem, sem saber, em relação aos direitos autorais?

RD: Reprodução (pirataria) com fim comercial. O sujeito faz a cópia em série. Às vezes, abre uma empresa para fazer cópias e vender isso de forma ilegal. Acontece muito. Mas o pior não é nem quem faz, é quem adquire. Muitas vezes, a pirataria é alimentada pelo próprio usuário, que não sabe também, muitas vezes, que aquilo é uma pirataria. Mas a gente não pode alegar desconhecimento da lei, para não cumpri-la. A pirataria, sem dúvida, é algo que acontece bastante (a reprodução indevida com fim comercial) e plágio. Eu vejo muito plágio, principalmente na própria academia. O pessoal dando CTRL + C e CTRL+V sem indicar quem é o autor, sem colocar a citação correta ou sem fazer as referências corretamente. Pegando citações de outros textos e utilizando a citação como se fosse do texto original e não do que ele acessou. A pirataria e o plágio, sem dúvida, são as maiores ilicitudes que hoje são cometidas pelas pessoas e, muitas vezes, elas não sabem que estão cometendo. Além também do próprio compartilhamento de arquivos, de forma integral, na internet. Porque hoje as novas tecnologias permitem isso de forma muito fácil e as pessoas acham que isso é normal: compartilhar, fazer cópias integrais de obras. A cópia integral não é permitida, mesmo que não tenha fim lucrativo.

Desde: O autoplágio existe?

RD: Autoplágio não existe. Autoplágio é questão de ética, de moral, de decoro. Ninguém vai cometer um ilícito contra si próprio. Quando eu crio uma obra intelectual e quero criar outras obras, mas que também a minha primeira obra, de alguma forma, faça parte, por uma questão ética e moral, de decoro, eu tenho que fazer a citação da obra originária. Mas se eu não fizer e incluir esse conteúdo na minha obra, eu estarei cometendo algum tipo de ilicitude, crime? Não! Se foi você que criou?! A criação é sua! Você está explorando ali algo que foi você que criou.

Desde: Qual é a principal novidade que consta no projeto da nova lei de direito autoral?

RD: Uma das principais é a que tem relação com a cópia integral. Essa nova lei de direito autoral busca permitir a utilização livre de cópia de um exemplar para uso privado do copista, sem intuito de lucro, mas integral, e não mais em pequenos trechos. Acho que essa é uma das grandes inovações do projeto de lei.

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quarta-feira, 20 de setembro de 2017

"Só eu sei/As esquinas por que passei/Só eu sei..."

Imagem: divulgação

Obrigado, Antonio Olavo. Muito obrigado por Travessias Negras. Obrigado demais! Hoje, amanhã, sempre e para sempre! Só sendo negro para constatar a importância dessa série documental. Não adianta dizer que tem amigo negro e, por isso, tem consciência do racismo que está presente na nossa sociedade. Não adianta! É no coração de quem tem a pele negra que o documentário bate mais forte. A série, que estreou hoje, na TV Educativa da Bahia, "busca retratar a vivência de jovens negros e negras, morador de periferia [sic], que ingressaram na universidade através das políticas afirmativas; ou seja, através das cotas, em cursos considerados e tidos como nobres: medicina, comunicação, direito e letras...", nas palavras do próprio Olavo, diretor do audiovisual.

Quem é negro e sofre o racismo diário, se identifica com os depoimentos dos personagens. As falas poderiam ser de qualquer um de nós. O histórico dos depoentes, as angústias, o sofrimento. Tudo isso é nosso também. Faz parte da gente. Lembro bem de uma professora medíocre da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom/UFBA) que, diante de minha negativa em contribuir para a compra de um cabo para a câmera, esbravejou: "Você gasta dez reais com droga, com baseado, e não quer ajudar a comprar o cabo?". Antes de qualquer atitude, a gente paralisa. Depois, pensa como agir. Falei para ela que não fazia uso daquelas porcarias que ela citou e que achava um absurdo uma professora concluí aquilo sobre mim. Ela tentou reconsiderar, disse que não estava falando só de mim e apenas reafirmou o preconceito. Claro: um estudante negro, rasta, fruto das políticas afirmativas, numa faculdade de comunicação, só podia ser usuário de droga, não é? Fala sério! Não tomei uma atitude mais séria, como abrir processo por calúnia e difamação, além de injúria racial, porque um familiar da professora estava doente. Doença séria. Fiz uso da empatia.

Numa outra ocasião, com outra professora da referida faculdade, propus uma pauta sobre a trajetória do pagode baiano e quase fui trucidado pelos discursos carregados de preconceitos, discriminações e racismo. Tanto da docente quanto dos coleguinhas que hoje vomitam consciência social nas redes sociais digitais. Ai, ai.

O racismo quer que a gente não seja. O grande barato é que ele só quer, não significa que vai conseguir. Se depender de mim, não vai. É muito difícil mesmo, para uma sociedade racista, aceitar um negro com a autoestima no céu, que sabe que é bonito, inteligente e capaz de chegar aonde quiser. Esse negro sou eu! Como escreveu o poeta: "... só fito os Andes...". Obrigado, Travessias!

domingo, 20 de agosto de 2017

"Sou jornalista..."


Jornalistas se acham, pela própria natureza da profissão (Argh!). Entretanto, não deixa de ser reconfortante testemunhar, com a ajuda das tecnologias atuais, quando alguém coloca esses profissionais no lugar de onde eles nunca deveriam ter saído: o de informar com responsabilidade. Ponto. Essa é a principal função do jornalista. O contrário é maquiagem que se usa em eventos sociais: subterfúgio para disfarçar uma constatada imperfeição. O episódio envolvendo o técnico do Esporte Clube Vitória, Vagner Mancini, e o jornalista da Rádio Bandeirantes, Felipe Garraffa, só serve para constatar como o jornalismo está infectado pelo vírus da arrogância e da presunção.

Ontem, após a partida entre o Vitória e o Corinthians, na qual o time baiano saiu vencedor, Mancini concedeu uma entrevista coletiva e se deparou com a evidente parcialidade de Garraffa em relação ao desempenho dos clubes no jogo. Houve uma tensão entre o técnico e o jornalista. Mancini retrucou o que chamou de "visão equivocada" de Felipe. Este, por sua vez, trouxe dados que faziam sentido apenas para ele. Contudo, o que chama atenção no caso, além da sofrível prática jornalística, é o vírus que está inoculado em quase todos os analistas do cotidiano: o de estar (ou achar-se) acima do bem e do mal. Ao ser hipoteticamente chamado por Mancini de corintiano, Felipe respondeu: "Não. Sou jornalista", demonstrando, assim, uma arrogância tão presente no universo dos jornalistas quanto a escolha da pauta do dia.

Por sinal, justificar qualquer estupidez com a oração "Sou jornalista" é a atitude mais arrogante que tenho visto nos últimos tempos. "Coisão" ser jornalista, não é?! Para alguns, é. Mas, o que muitos profissionais esquecem, ou fingem esquecer, é que o jornalismo é apenas mais uma atividade profissional que existe na sociedade. Ela não é melhor nem pior. É mais uma. Jornalistas não são sabichões, não estão acima do bem e do mal, nem determinam, com a visão subjetiva dos fatos, como as coisas devem ser. É uma ilusão pensar isso. Principalmente, nos dias de hoje, com o advento das novas tecnologias da informação e da comunicação e as mudanças ocorridas na dinâmica de produção de conteúdos informativos.

Clóvis Rossi, uma leitura básica para quem está iniciando no jornalismo, afirma, no livro O que é Jornalismo (1980, Brasiliense), que "a imprensa brasileira ainda não venceu a regra não escrita de que o jornalista é um especialista em generalidade. Ou, em outras palavras, um sujeito que sabe pouco de muitas coisas". Ou seja: por trás de um "Sou jornalista", tem a arrogância, a presunção e o pedantismo, mas falta a consciência da verdadeira função social da profissão, além de sobrar muita imodéstia. Que o episódio com Mancini seja mais uma lição. E sem corporativismo!

terça-feira, 11 de julho de 2017

Quando o buraco é mais embaixo e eu faço questão de empurrar

A indústria da cortesia. Foto: Raulino Júnior

A lista amiga não é amiga. Não vivo da renda de espetáculos artísticos, tampouco sou milionário, mas tenho consciência de que artistas precisam ser valorizados pela arte que produzem, e isso perpassa também pela valorização financeira. Todo mundo sabe que viver de arte, no Brasil, é um sonho que se torna real para poucos. Todo mundo sabe. Mas o que é que, sendo generalista, todo mundo faz? Nada. No menor sinal de "coloque o seu nome na lista e pague meia", o que se vê é uma corrida desenfreada, tal qual formiga atrás de doce. É complicado. A indústria da cortesia está acabando com o fazer artístico de milhares de pessoas. Muitas vezes, os próprios artistas dão vazão para isso. Como combater esse mal? É o convite que eu faço: vamos pensar?

A Lei 12.933, de 29 de dezembro de 2013, que dispõe sobre "o benefício de pagamento da meia-entrada para estudantes, idosos, pessoas com deficiência e jovens de 15 a 29 anos comprovadamente carentes em espetáculos artísticos-culturais e esportivos", é categórica ao dizer que apenas estudantes regularmente matriculados, que comprovem a sua condição de discente, têm direito ao benefício. Na prática, não é isso que acontece. Sem querer falar das ações fraudulentas que certamente pululam Brasil afora, há um instrumento ilegal que está tomando conta das casas de espetáculo há algum tempo: a tal da lista. "Ilegal" porque não existe legislação que embase tal procedimento. E o pior: a lista é, quase sempre, avalizada pelos próprios artistas, profissionais que não vivem da sua arte, por diversas razões, e que têm de se sujeitar a isso, para seduzir a audiência. É uma espécie de autoboicote. Ele existe e, talvez, o artista não perceba que está dando espaço para que isso aconteça. A criação de uma lista, que não tem legalidade alguma, não seria uma forma de desvalorizar a criação que já anda tão desvalorizada? Todos precisam pensar sobre isso. Principalmente, os fazedores de arte.

Como um artista de teatro, por exemplo, consegue manter a sua arte viva descambando para a lista amiga? Observe: eu sou um ator, faço das tripas coração para levantar um espetáculo, ensaio por horas a fio, perco noite, participo da produção e, quando estreio, percebo que as pessoas próximas, minhas amigas, só se sentem estimuladas a ir ao espetáculo se eu conceder uma cortesia ou colocar o nome dela na lista. Dessa forma, ela não paga nada ou paga a metade do valor do ingresso. No final, quem paga o meu trabalho? Eu mesmo?! Essa conta não fecha. Não tem que ser assim. Não pode ser assim.

O nome na lista no intuito de pagar meia causa um outro problema, que tem a ver com a legislação vigente. De acordo com a lei, "a concessão do direito ao benefício da meia-entrada é assegurada em 40% (quarenta por cento) do total dos ingressos disponíveis para cada evento". Se há essa restrição, como é que um instrumento ilegal, como a lista, continua existindo, uma vez que ela passa a ser (ou deveria passar, para que não houvesse injustiças) um "benefício" à parte do 40% do total de ingressos disponíveis? Essa conta não fecha. Quem paga? Como ficam as pessoas que têm o direito legal de pagar meia-entrada nisso tudo? Como se sentem as pessoas que podem pagar, mas, ainda assim, colocam os seus nomes nas famigeradas listas? 

A cota de meia deve ser destinada para quem realmente tem o direito de pagar meia. Caso contrário, mais uma encruzilhada será fomentada e os menos favorecidos serão sempre os atingidos. Você, que se vê como sujeito sensível a essa causa, nem perceberá que o buraco é mais embaixo e que você está fazendo questão de empurrar aquele artista que admira para lá. 

terça-feira, 4 de julho de 2017

#DesdeEmTrânsito: Reunião Ampliada "Cultura e Desenvolvimento"

Imagem: divulgação
Por Raulino Júnior 

A Faculdade de Economia da Universidade Federal da Bahia sediou a segunda Reunião Ampliada da Comissão de Cultura da Câmara Municipal de Salvador. Com o tema Cultura e Desenvolvimento, o evento, que aconteceu hoje, foi mediado pelo vereador Sílvio Humberto e teve a participação de Carol Barreto (designer de moda, professora e doutoranda em Cultura e Sociedade pela UFBA), Tiganá Santana (doutorando em Letras, cantor e compositor) e Albino Rubim (professor e pós-doutor em Políticas Culturais). O Desde esteve lá e fez uma cobertura via Twitter (@RaulinoJunior), para mais uma edição do especial #DesdeEmTrânsito. Veja o resultado.

A Comissão de Cultura da Câmara Municipal de Salvador quer, segundo o vereador Sílvio Humberto, ouvir a sociedade civil para pensar políticas culturais para a cidade. As reuniões ampliadas são parte dessa ação.
O professor Henrique Tomé parabenizou a ação e salientou a importância de a Faculdade de Economia da UFBA sediar o evento.
Pois é! Es-tra-té-gi-ca!
Mais sobre o Modativismohttps://www.facebook.com/carolbarretodesigner
É isso aí!
Não é difícil de entender, não é?
Com certeza!
No tweet de correção, um erro na hashtag. Desculpa!
Faltou o hífen após o "pós". Desculpa!
Ufa! Que bom! É raro de ver!
Infelizmente, não foi possível participar do encerramento do evento. Até a próxima edição do #DesdeEmTrânsito!

Todas as fotos foram feitas por Raulino Júnior.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

O pop que vem de Minas

Em entrevista exclusiva para o DesdeCaio Dias fala sobre música brasileira e apresenta o seu funk tropical
Caio Dias: funk tropical oriundo de Minas Gerais. Foto: Manoel Max

O mineiro Caio Dias começou a cantar aos 12 anos, participando de grupos musicais na igreja, em Belo Horizonte, cidade onde nasceu. Aos 22, se profissionalizou. Morou nove anos em Goiânia e lá, em parceria com a amiga Katia Helenice, fundou o grupo Baú Novo, de "samba alternativo". A banda colocou os goianienses para sambar de 2012 a 2015. Na época, Caio era Deny Robert. Ou Deny Robert é Caio? Ele explica: "Meu nome de batismo é Deny Robert Oliveira Costa. Aquela coisa criativa dos pais, que fazem a junção de gringo com português nos nomes das crianças", diverte-se. Resolveu assumir o pseudônimo "Caio" por ser de fácil assimilação para o público: "Com o tempo, percebi que as pessoas tinham muita dificuldade em falar, escrever [ele se refere ao nome Deny Robert]. Desde a infância, eu sempre me apresentei às pessoas repetindo meu nome mais de uma vez. Quando assumi um estilo mais pop nacional, quis deixar mais fácil para o público essa associação do meu trabalho com o meu nome. Caio é um pseudônimo que usos desde os 16 anos de idade. Optei em assumi-lo artisticamente, até por considerá-lo mais latino", explica. Hoje, aos 27, e morando em Maceió há três meses, Caio se prepara para mais uma mudança: voltar para o Sudeste. "Meu foco aqui foi divulgar o trabalho na região e sentir a reação das pessoas. Em breve, terei mais clareza, mais planos se desenham para São Paulo".

Nesta entrevista multimídia, feita por e-mail, o cantor e compositor fala sobre a cena pop do Brasil, apresenta o seu primeiro EP, o Funk Tropical, e revela planos de fazer show em Salvador: "Estou em diálogo com um produtor local, ainda definindo os detalhes, para organizar um evento em Salvador em meados de julho ou agosto. Estou na expectativa de que dê certo". Enquanto isso não acontece, conheça um pouco do trabalho dele nas linhas a seguir.

Desde que eu me entendo por gente: Antes de enveredar para o pop, você fazia um trabalho de "samba alternativo", com a banda Baú Novo. A mudança de estilo se deu por vontade própria ou por alguma imposição empresarial/mercadológica? Caio Dias: Por pura escolha minha. Amo o samba. Amo nossa música de raiz, mas sou jovem e desejo transmitir o que penso e sinto a um público que se parece comigo. O samba sempre foi uma influência paterna muito forte em minha vida, porque meu pai tocava pagode por hobby. Quando mais novo, eu acordava todos os sábados ouvindo Raça Negra. Mas, com o decorrer do projeto Baú Novo, percebi que desejava algo mais performático na minha carreira.

Desde: Por falar nisso, o que é o pop para você?



Desde: Quais são as suas principais influências musicais?
CD: Todas possíveis! Mas, principalmente, música nacional de raiz e black music. Sou apaixonado por jazz e rhythm and blues.
Desde: Qual artista influencia, diretamente, o seu trabalho atual? CD: Puxa! Eu faço tanta vitamina na minha cabeça. Posso citar muitos, por várias pontos específicos. Vou resumir dizendo: a nova safra do pop nacional, para ser justo.

Desde: Qual análise você faz da atual cena do pop no Brasil?



Desde: Por que escolheu Maceió para dar início ao atual trabalho? No Sudeste, de onde é oriundo, não seria mais fácil? Ou, como a concorrência lá é maior, você preferiu explorar um mercado no qual seu som seria uma novidade?

CD: Gosto de experimentar. Quis trazer uma interferência a uma região com uma cultura musical tão consolidada, como o forró e, atualmente, o "forronejo". Num local onde as pessoas já ouvem pop/funk, pode ser que passasse despercebido. Queria sentir de perto a reação do público. Para mim, funcionou como amostragem mesmo. Está nos planos seguir para o Sudeste, após concluir essa divulgação aqui. Além do mais, MACEIÓ É LINDO!

Desde: No seu trabalho, a dança e a música estão sempre juntas, uma característica comum do universo pop. Como é ser um homem no pop brasileiro, principalmente considerando a estética que você traz?
CD: Um desafio, porém divertido! Estou visitando meus limites com esse trabalho. Tem sido terapêutico, acima de tudo. Crescemos ouvindo que homem não dança, não usa short curto, não rebola, não sensualiza. Mas a verdade é que o corpo é um mundo. O movimento dele é sexy, bonito, sem gênero. Fazia dança na infância e parei, me engessei quando adolescente e adulto, por medo de sofrer chacota, porque diziam que "quem dança é mulher". Me permito fazer o que acredito hoje em dia.
Capa do EP Funk Tropical, de Caio Dias: músicas dançantes e narrativas sobre relacionamento. Imagem: José Alves Neto
Desde: Recentemente, você lançou o EP Funk Tropical, com quatro faixas. Qual é o conceito da obra?
CD: Vida noturna, boemia contemporânea! A noite é pura alegria, gente! Sabendo aproveitar, a gente vive um universo de possibilidades.

Desde: O que é o funk tropical? Explica esse gênero.



Desde: Para brincar com um trecho de Vírus: qual é a sua fama na roda? 

CD: Sóbrio, exigente. Bêbado, biscate. [Risos].

Desde: A música Freelance é autobiográfica?

CD: É biográfica! Conheci uma garota de programa numa balada, certa vez, no fumódromo. Estávamos todos conversando, falando sobre nossas experiências de vida e ela disse que era garota. Achei muito interessante e ficamos conversando por horas. Apesar de ser lésbica, ela falou como lidava profissionalmente sobre fazer sexo com homens. Não gostava, mas era o trabalho dela. Ainda disse que começou após uma desilusão amorosa, porque descobriu que uma antiga companheira fazia programa às escondidas. Ela a perseguiu até uma casa de stripper e viu a ex nua no palco. Ficou muito indignada, tirou a roupa e começou a dançar também. Recebeu uma proposta de um dos participantes para uma dança particular e recebeu R$ 200. Ali começou tudo. Achei um tipo de superação tão inusitada que, dias depois, compus Freelance. Afinal, quem não vende romance a qualquer preço subjetivo, para superar uma dor de amor?
Desde: A sonoridade de Spell remete muito a Elvis Presley e ao rockabilly. Alguma influência?

CD: Muito! E de Amy Winehouse também! Meus divos do jazz e rockabilly.

Registro da gravação do viedeoclipe da música Só vai bastar. De trás pra frente: Will Sousa, Caio e Paulo Vitor. Foto: Manoel Max
Desde: Só vai Bastar foi a primeira música de trabalho do seu EP. Ela é dançante e bem radiofônica. Como foi a receptividade do público com essa obra? O que as pessoas falam para você?

CD: Gostaram bastante! A primeira palavra: chiclete! Mas os esforços de divulgação dela foram apenas locais. Como comentei lá em cima, queria fazer uma amostra antes. Após o lançamento de Freelance, no fim do mês, intensificaremos os esforços para divulgar o EP nas demais regiões.

Desde: Profissionalmente, você tem pouco tempo de carreira artística. Em geral, quem está começando, tem muito interesse de se mostrar, se fazer conhecido. No seu EP, você não aparece na capa, mas na contracapa. Por que optou por isso?


Desde: Você disse que usa "Caio" desde os 16 anos. Por que "Caio"? E por que "Dias"? CD: Porque Caio sempre foi meu alter ego "salvador". Venho de uma família muito religiosa, evangélica. Quando estava me assumindo, tinha certo receio de me expor. Caio sempre foi minha versão ousada na noite, destemida, abusada, digamos assim. O Dias é um sobrenome que se conectou com Caio pela sonoridade. Não tem uma motivação específica. Creio que todos nós temos várias versões. Freud defende essa teoria. Outra ferramenta que estudei já adulto, o Eneagrama (super-recomendo), também propõe isso. Temos diversas máscaras sociais que cobrem uma essência, na tentativa de autodefesa. Maturidade é assumir o melhor de cada uma delas, assumir nossa lado sombra como parte das nossas virtudes, um caminho necessário à evolução. Me sinto bem e preparado para assumir o melhor de Caio Dias na minha carreira.
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Canais de Caio Dias nas redes sociais digitais:
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